Destino: Lajedo de Pai Mateus/ Cariri Paraibano/ Brasil

Na região do Carirí Paraibano existe uma lenda sobre um curandeiro ermitão chamado Pai Mateus, que viveu em meados do Século XVIII. Pai Mateus era um curandeiro local e viveu em uma região rochosa em formato de “prato de sopa” invertido.
Esse lugar, hoje chamado de Lajedo de Pai Mateus, é uma elevação rochosa de 1,5 km², sobre a qual estão dispostos mais de 100 imensos blocos arredondados de granito. Existem poucas regiões do mundo com características geológicas semelhantes ( Devil's Marbles no Outback Australiano, Erongo Mountains na Namíbia e a região do Hoggar na Argélia) e esta é considerada a mais bonita e intocada. Apesar de desprezada pelo turismo e pelo turista brasileiro, conta sempre com visita de estrangeiros e estudiosos (geólogos, geógrafos, arqueólogos...). Isso por que se não bastasse a característica praticamente única da região, os blocos em formato de capacete contam com inscrições rupestres e outros vestígios de terem um dia sido habitados. Nas paredes do grande abrigo rochoso, onde a lenda diz ter vivido o Pai Mateus, encontramos várias dezenas de impressões de mãos humanas inclusive.
O Lajedo de Pai Mateus, foi usado como "centro cerimonial ou local sagrado" pelos povos indígenas pré-históricos que habitaram a região por pelo menos 10.000 anos, e por isso muitas pessoas hoje, encontram um certo “misticismo” em suas pedras. Sua "energia positiva" não passa despercebida pelos visitantes com alguma sensibilidade ou "abertos" para esse tipo de experiência mística. Mas independente deste lado, o lajedo é sim uma região especial com um visual único e belo em uma região marcada pela aspereza da natureza e a doçura de seus nativos.
O lajedo fica no município de Cabaceiras, à duas horas e meia de carro de João Pessoa, e à uma hora de Campina Grande. Para chegar lá, Siga até a Praça do Meio do Mundo, 27 Km depois da cidade de campina Grande, e entre em direção à Boa Vista. Depois da entrada para Boa Vista, siga por 20 Km de estrada de terra e pronto! Para o mochileiro liso a dica é a seguinte: Até Campina Grande (PB), tem ônibus tranqüilamente, seja saindo de João Pessoa (Capital), ou de Recife (Capital/PE). A freqüência dos ônibus é em torno de hora em hora, mas sempre aparece um transporte alternativo. Uma vez em Campina Grande, procure ônibus (difícil) ou “bandinha” (o nome dos transportes alternativos, quase sempre uma rural ou uma D20 adaptada para levar o povo pelas cidades pequenas) que te leve para Boa Vista. De lá, o resto é fácil: mototáxi, táxi ou carona sempre aparecem. ATENÇÂO: Não é permitido acampar no lajedo, e a única opção é um hotel na região, que não é lá muito barato. Então a solução encontrada é trocar uma idéia com o pessoal na região e tentar arrumar um quintal para armar a barraca, ou ficar no lajedo até escurecer e tentar dormir por lá (afinal o povo já fazia isso há uns 10 mil anos atrás).

Destino: Monte Roraima/Gran Sabana/Venezuela


Na divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana ele se ergue imponente no horizonte. São quase 3.000 metros de altura de pura beleza. Nessa região, conhecida como Grande Savana Venezuelana (patrimônio da humanidade), existem varias formações semelhantes. Conhecidos por tepuy ou no plural, tepuyes, se erguem quase que verticalmente e segundo alguns estudos, foi um dos primeiros lugares no planeta a se solidificar. O Monte Roraima em especial, é conhecido pelas lendas que o cercam, tendo como origem a cultura indígena local, os Pemons. Para chegar, são aproximadamente dois dias de caminhada à partir de Santa Helena de Uairen, na fronteira entre Brasil e Venezuela. Uma vez lá no alto, é bom dispor de pelo menos mais dois dias para se ver o mínimo, já que só de comprimento, o Monte tem 46 km.

Principais pontos de visita: Punto tríplice (encontro das fronteiras dos três países), El fosso e Vale dos Cristais. Garanto que essa viajem vale cada esforço e cada centavo. O lugar é lindo, mágico, indescritível!! As fotos não são capazes de expressar o sentimento de visitar esse outro planeta.
Acesso: Pelo Brasil, saindo de Boa Vista (RR) até a cidade venezuelana Santa Helena de Uaíren, na fronteira, são 215Km. De lá, pode-se procurar uma das agencias de turismo que fazem o passeio. Eles alugam de tudo! Barracas (carpas), sacos de dormir, isolantes térmicos, fogareiros, enfim...basta levar um bom par de tênis ou botas para treking e roupas de frio. (No inverno pode-se encontrar temperaturas próximo a 0°C), Capa de chuva é fundamental. Lanterna, pilhas, e um bom relaxante muscular também são bem vindos.

Agora, se você prefere usar seus próprios equipamentos, prepare sua bagagem, e ao invés de ir com uma empresa de turismo de Sta Helena, poderá optar pela opção de seguir até São Francisco de Uruaní e tentar se encaixar em algum dos inúmeros grupos que vão por conta própria. Proponha rachar os custos e economize um bocado. ATENÇÃO!!! É fundamental que se contrate um guia indígena no local. Primeiro por que é obrigatório, e segundo por que se alguém se perder lá em cima (e não é difícil), pode se considerar bem encrencado, pois não tem o que comer. É só pedra!!! Nesse caso procurem em S. Francisco o Rolando. Ele é gente boa pra caramba e faz um precinho especial para brasileiro liso. Calcule um dia de guia por uma diária de aluguel de carro no Brasil.
Outros pontos interessantes da região: Monte Kavac (Onde fica a maior queda d’água do mundo: Salto Angel), El Paují (Uma comunidade alternativa muito interessante que vale à pena conhecer), Lago Canaima...A região tem infinitas cachoeiras. Então vá preparado para andar bastante, pois têm muita coisa bonita para se ver...
O que você vai precisar:
Roupas: Uma calça grossa, uma bermuda, camisa (ao menos uma de manga comprida), casaco meias, roupas íntimas (mantenha tudo em sacos plásticos separados). A capa de chuva deve ficar sempre à mão. E não esqueça de um chapéu (de preferência que proteja o pescoço).
Comida: No caminho entre Boa Vista (RR) e Sta. Helena, pode-se comprar uma paçoca (farinha com carne seca) muito boa. É leve e sustenta bem. Leve sopa instantânea, arroz desidratado, um pouco de chocolate (ajuda bastante no frio), um pouco de pão, biscoito, barra de cereais, leite em pó, chá, café e sal grosso (uma pedrinha de sal embaixo da língua evita cãibras). Algumas bananas desidratadas são uma alegria pros dentes. Água tem por todo o caminho e em abundância. Uma garrafa com 1litro resolve o problema. Leve alguma solução para purificar a água, afinal, uma diarréia em alguns dias de caminhada não é lá muito bom.
Equipamento: Barraca, saco de dormir, isolante térmico, uma mochila confortável, lanterna, protetor solar, fogareiro (daqueles pequenos e leves!!), primeiros socorros (remédios para dor de cabeça, relaxante muscular, anti-inflamatórios, IMOSEC, etc.). A câmera fotográfica deve ser simples. A umidade castiga muito e é melhor correr o risco de estragar uma câmera barata.
Lembre-se: Conforto é proporcional a peso. Não leve mais que 15 Kg na bagagem, a não ser que tenha experiência em caminhadas.

Dois links muito bons:
www.lagransabana.com
www.gransabana.com

Documentário da National Geographic:



Boa viajem

Dicas: Como organizar sua mochila - Básico

  • Ponha o seu saco de dormir no fundo da mochila. (Algumas mochilas têm um compartimento separado para isso). Serve para evitar que seu saco de dormir seja comprimido pela bagagem (Segundo alguns fabricantes, isso pode estragá-lo).
  • Em seguida guarde a roupa. De modo geral você vai levar roupas leves (ao menos deveria...), de forma que elas devem mais ao fundo da mochila. Para ajudar a manter a roupa seca, coloque-as dentro de sacos plásticos grossos. A capa de chuva ou uma jaqueta leve devem ficar mais perto do topo ou nas bolsas externas de fácil acesso.
  • Organize os alimentos e itens de cozinha em cima da roupa. Guarde o que puder dentro de potes e copos para economizar espaço. Guarde o gás ou combustível para cozinhar dentro de uma sacola ou separado, no bolso externo, para evitar que, em caso de vazamento, detone tudo dentro da mochila.
  • Guarde a barraca dentro do compartimento para o saco de dormir ou fora da mochila. Uma vez que a maioria das barracas são leves, devem ficar na parte inferior da mochila. Mantenha a sua barraca dentro deum saco impermeável.
  • Aproveite os bolsos externos para organização. Use-os para armazenar itens que vá usar muitas vezes, para que você possa encontrá-los rapidamente. Isso inclui itens como mapas, biscoitos e salgadinhos, protetor solar ou capas de chuva.

Esse é um modelo basicão e generalizado para organização da barraca. Na verdade a organização vai depender de onde o viajante está indo, o que vai encontrar pela frente, etc.

Definição: Mochileiro Liso

Mochileiro liso ( nosso país é muito grande, e “liso” pode ser interpretado de várias formas, portanto aqui, “liso” é o cara sem grana mesmo) – se o mochileiro não se dá ao luxo de ficar em um hotel caro, o mochileiro liso é o cara que procura gastar menos ainda, mesmo tendo que escolher viagens noturnas para dormir no ônibus e economizar uma diária (primeira dica). Veja bem, não é um mendigo. Às vezes o mochileiro liso pode até ser visto dormindo em alguma rodoviária, mas não quer dizer que vai estar sujo ou pedindo uma graninha pra quem passa. É só uma questão de economia momentânea, ou de ter perdido o ônibus da noite e não tem onde ficar.

Agora que você já descobriu se é ou não um mochileiro liso, vamos ao que interessa. Boa viagem, e lembre-se: seja educado com as pessoas, não tente tirar vantagem em nenhuma situação, aproveite os momentos, e o principal, o lema do mochileiro liso é: “Na terra dos outros a gente pisa devagar”.

Bem Vindos

Este blog foi idealizado e será escrito para quem quer conhecer um lugar, não importa o qual, e pensa que não tem dinheiro para isso. Leve em conta que o viajante em questão quer conhecer o lugar, e não o(s) hotel(eis) de lá. Portanto, se você sonha em conhecer um incrível resort ou encarar um fantástico cruzeiro a bordo de um navio super chique, talvez seja melhor procurar um site de agente de viagem (existem pacotes para estas “aventuras” divididos em parcelas a perder de vista).

É óbvio que não condeno pessoas que querem um pouco de mordomia e conforto. Mas sabe, são perfis diferentes, e o mochileiro, de modo geral, nem tem grana, nem se importa muito se vai ficar em um hotel chique ou em uma pensãozinha organizada.

Mochileiro é aquele cara que decide viajar, de forma não tradicional. Ou seja: sem pacotes turísticos, sem hotéis badalados, e de modo geral sem um roteiro fixo. Procura vivenciar a verdadeira cultura regional, comer o que o povo come, andar por onde o povo anda. Se possível (mas muito difícil) passar despercebido, como mais um transeunte qualquer. Normalmente é amigo, e prestativo, e raramente se mete em confusão. Enfim, é um pesquisador do gênero humano, um ser apaixonado pela cultura alheia.

Bem vindos à esse novo projeto. Espero que os textos publicados sejam úteis.